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Dr. Luiz Henrique Carboni – Otorrinolaringologia em Brasília – DF

Homem sentado em casa, segurando a região do nariz e demonstrando desconforto ao respirar.

Visão rápida

  • Sintoma mais comum: dificuldade para respirar pelo nariz.
  • Condição: alteração anatômica do septo nasal, estrutura que separa as duas cavidades nasais.
  • Frequência: muito comum.
  • Tratamento: depende dos sintomas, da causa da obstrução e do impacto na qualidade de vida. Pode ser clínico, cirúrgico ou uma combinação das duas abordagens.
  • Prognóstico: geralmente muito bom quando a causa da obstrução é corretamente identificada e o tratamento é individualizado.

Resumo

O desvio de septo nasal é uma alteração anatômica muito frequente. Muitas pessoas apresentam algum grau de desvio e respiram normalmente, sem necessidade de qualquer tratamento.

Em outras, porém, o desvio pode contribuir para a obstrução nasal, dificultando a respiração pelo nariz e prejudicando o sono, a prática de atividades físicas ou a qualidade de vida.

Mas existe um ponto importante: nem toda dificuldade para respirar pelo nariz é causada pelo desvio do septo.

Rinite, hipertrofia dos cornetos, alterações da válvula nasal e outras condições também podem provocar obstrução. Por isso, encontrar um desvio em um exame não significa, por si só, que ele seja responsável por todos os sintomas.

Da mesma forma, nem todo desvio do septo precisa ser corrigido por cirurgia.

A decisão sobre o tratamento deve considerar a relação entre a anatomia nasal, os sintomas, o exame físico e o impacto que a obstrução provoca na vida do paciente.

Se você tem dificuldade persistente para respirar pelo nariz, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar se o desvio de septo realmente participa da obstrução.

O que é desvio de septo nasal?

O septo nasal é a estrutura que separa a cavidade nasal em dois lados. Ele é formado principalmente por cartilagem na região anterior e por componentes ósseos posteriormente, sendo revestido por uma mucosa rica em vasos sanguíneos.

Idealmente, o septo permanece próximo da linha média, permitindo uma passagem adequada do ar pelas duas cavidades nasais.

Quando existe um desvio, uma das passagens pode ficar mais estreita. Dependendo da intensidade e da localização do desvio, essa alteração pode contribuir para a dificuldade de respirar pelo nariz.

A presença de outras alterações também é importante. Rinite alérgica, hipertrofia dos cornetos e alterações da válvula nasal, por exemplo, podem participar da obstrução e precisam ser consideradas durante a avaliação.

É importante destacar que pequenas assimetrias do septo são extremamente comuns e, na maioria das vezes, não provocam sintomas.

Ilustração comparando um septo nasal normal e um desvio de septo nasal, mostrando a diferença na passagem de ar.

Se você tem dificuldade persistente para respirar pelo nariz, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar se o desvio de septo realmente participa da obstrução.

O que explico aos meus pacientes

Dica do Especialista

Ter um desvio de septo não significa, automaticamente, precisar de cirurgia. O que orienta o tratamento não é apenas o exame, mas principalmente a presença de sintomas, a causa da obstrução e o impacto que ela causa na sua qualidade de vida.

Uma pergunta que escuto muito

“Doutor, meu exame mostrou desvio de septo. Vou precisar operar?”

Não necessariamente. Muitas pessoas apresentam algum grau de desvio do septo e respiram normalmente.

Quais são os principais sintomas?

  • dificuldade para respirar pelo nariz;
  • sensação de nariz entupido, muitas vezes predominando de um lado;
  • necessidade de respirar pela boca, especialmente durante o sono;
  • ronco em alguns pacientes;
  • episódios recorrentes de rinossinusite em situações específicas;
  • sangramentos nasais em alguns pacientes, especialmente quando existem alterações associadas da mucosa nasal.

É importante lembrar que esses sintomas também podem ocorrer em outras doenças, como rinite alérgica, hipertrofia dos cornetos e alterações da válvula nasal.

Por isso, o objetivo da consulta não é apenas descobrir se existe um desvio, mas entender se ele realmente participa da obstrução nasal.

Quais são as principais causas?

O desvio de septo pode estar presente desde o nascimento ou se desenvolver ao longo da vida.

  • desenvolvimento natural do nariz durante o crescimento;
  • alterações congênitas;
  • traumatismos, como quedas, acidentes ou lesões durante a prática esportiva;
  • fraturas nasais.

Em muitos pacientes, não é possível identificar um evento específico que explique o desvio.

Isso acontece porque pequenas assimetrias podem surgir naturalmente durante o desenvolvimento da face e do nariz.

Ilustração comparando a passagem de ar em um nariz com septo alinhado e em um nariz com desvio do septo.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história clínica e pela avaliação dos sintomas.

  • quais são os sintomas predominantes;
  • há quanto tempo eles estão presentes;
  • se a obstrução ocorre de um lado ou dos dois;
  • se existe variação dos sintomas ao longo do dia;
  • se há ronco ou respiração pela boca durante o sono;
  • se existem episódios recorrentes de rinossinusite;
  • se há sangramentos nasais;
  • se houve algum traumatismo no nariz;
  • se o paciente apresenta rinite ou outras doenças nasais associadas.

Em seguida, realiza-se o exame físico da região nasal.

A avaliação da cavidade nasal pode identificar o desvio do septo e outras alterações que estejam contribuindo para a obstrução. Em determinados pacientes, a nasofibroscopia pode complementar a avaliação, permitindo uma análise mais detalhada das estruturas nasais e da região posterior da cavidade nasal.

A tomografia computadorizada não é necessária para todos os pacientes com desvio do septo. Ela pode ser indicada em situações específicas, principalmente quando existe suspeita ou investigação de outras doenças, como rinossinusite crônica, ou quando é necessária para o planejamento cirúrgico.

Portanto, o exame de imagem deve complementar a avaliação clínica, e não substituir a consulta e o exame físico.

Exame de nasofibroscopia realizado em paciente sentada, com endoscópio nasal flexível e monitor exibindo imagem endoscópica.

Se existe dúvida sobre a causa da obstrução nasal, a avaliação clínica permite relacionar os sintomas aos achados do exame e definir a investigação adequada.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende dos sintomas, da causa da obstrução e do impacto que ela provoca na qualidade de vida.

Quando a obstrução está relacionada principalmente a processos inflamatórios, como a rinite alérgica, o tratamento clínico costuma ser uma parte importante da abordagem.

Quando existe um desvio do septo que contribui de forma relevante para a dificuldade respiratória e os sintomas permanecem apesar do tratamento adequado das condições associadas, a cirurgia pode ser considerada.

A cirurgia destinada a corrigir o desvio do septo é chamada de septoplastia.

Seu objetivo é corrigir a anatomia do septo para melhorar a passagem do ar pelas cavidades nasais, preservando, sempre que possível, a estrutura e a função do nariz.

A indicação deve ser individualizada. O médico considera os sintomas, o exame físico, as alterações anatômicas, possíveis doenças associadas e as expectativas do paciente.

Ilustração das etapas da septoplastia, mostrando o septo antes da cirurgia, durante a correção e após o alinhamento.

Mitos e Verdades

“Todo desvio de septo precisa de cirurgia.”

❌ MITO. Muitas pessoas apresentam algum grau de desvio e respiram normalmente, sem necessidade de tratamento cirúrgico.

“Quem tem desvio de septo sempre respira mal.”

❌ MITO. A presença de um desvio anatômico não determina, sozinha, a intensidade dos sintomas.

“A cirurgia pode melhorar a respiração quando o desvio é responsável pela obstrução.”

✅ VERDADE. Em pacientes adequadamente selecionados, a septoplastia pode proporcionar melhora significativa da obstrução nasal e da qualidade de vida.

“A rinite alérgica pode continuar existindo mesmo depois da cirurgia.”

✅ VERDADE. A septoplastia corrige uma alteração anatômica do septo. Ela não elimina a predisposição inflamatória da rinite alérgica, que pode continuar exigindo tratamento específico.

O que muita gente pensa × O que as evidências mostram

O que muita gente pensaO que as evidências mostram
“Meu exame mostrou desvio de septo. Então ele é a causa de todos os meus sintomas.”Um desvio pode ser apenas um achado anatômico. É necessário relacioná-lo aos sintomas e investigar outras possíveis causas de obstrução.
“Quanto maior o desvio, maiores serão os sintomas.”A relação entre a aparência do desvio e a intensidade das queixas não é necessariamente direta. A avaliação deve considerar o conjunto dos achados.
“Depois da cirurgia nunca mais terei problemas para respirar.”A septoplastia pode melhorar a obstrução causada pelo desvio, mas outras condições nasais podem continuar existindo e exigir tratamento.

Mensagem-chave

📌 Importante

O desvio de septo deve ser tratado quando está relacionado a sintomas relevantes e interfere na qualidade de vida. A indicação de cirurgia deve ser baseada na avaliação clínica completa, e não apenas na presença de um desvio observado em um exame.

Ter um desvio no exame não significa, por si só, que você precise operar. Uma avaliação individualizada ajuda a definir o que realmente está causando os sintomas.

Perguntas frequentes

Toda pessoa tem algum desvio de septo?

Pequenas assimetrias são muito comuns. Muitas delas não causam sintomas e não necessitam de tratamento.

É possível ter desvio de septo e respirar normalmente?

Sim. A presença de um desvio anatômico não significa necessariamente que exista obstrução nasal significativa.

O desvio do septo pode piorar com o tempo?

Em geral, a anatomia do septo permanece relativamente estável após o crescimento. Entretanto, traumatismos podem modificar sua anatomia ao longo da vida.

A cirurgia muda a aparência do nariz?

A septoplastia tem como objetivo principal corrigir a função nasal e, isoladamente, não busca modificar a aparência externa do nariz. Quando também existe necessidade de corrigir alterações estruturais externas ou aspectos estéticos, pode ser indicada uma rinosseptoplastia.

A rinite pode causar nariz entupido mesmo quando existe desvio do septo?

Sim. A rinite pode contribuir para a obstrução nasal mesmo quando existe um desvio anatômico. Por isso, é importante identificar quais fatores estão participando dos sintomas.

A tomografia é obrigatória para diagnosticar desvio do septo?

Não. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história, nos sintomas e no exame físico. A tomografia pode ser solicitada em situações específicas, de acordo com a avaliação médica.

A recuperação da septoplastia é demorada?

O período de recuperação varia entre os pacientes e depende também do procedimento realizado. Muitas pessoas conseguem retomar gradualmente suas atividades habituais em poucos dias, mas a recuperação completa do nariz ocorre de forma progressiva e deve seguir as orientações do cirurgião.

Quando procurar um otorrinolaringologista?

  • a dificuldade para respirar pelo nariz for persistente;
  • houver obstrução predominante de um lado;
  • houver necessidade frequente de respirar pela boca;
  • existirem roncos associados à obstrução nasal;
  • houver episódios recorrentes de rinossinusite;
  • o tratamento clínico não proporcionar melhora satisfatória;
  • existir dúvida sobre a necessidade de cirurgia.

O próximo passo

Se você apresenta dificuldade persistente para respirar pelo nariz, evite concluir que a causa é apenas o desvio de septo com base em um exame ou em relatos de outras pessoas.

Uma avaliação especializada permite identificar quais fatores estão contribuindo para os sintomas e definir se o tratamento deve ser clínico, cirúrgico ou uma combinação de diferentes abordagens.

Uma avaliação individualizada ajuda a identificar a causa da obstrução nasal e definir o tratamento mais adequado.

Conclusão

O desvio de septo nasal é uma alteração anatômica muito frequente, mas nem sempre provoca sintomas ou exige tratamento.

A decisão terapêutica deve considerar o paciente como um todo, relacionando a anatomia nasal aos sintomas, ao exame físico e ao impacto na qualidade de vida.

Essa abordagem permite identificar a verdadeira causa da obstrução e definir a estratégia mais adequada para cada caso, evitando tanto cirurgias desnecessárias quanto o atraso de tratamentos que podem trazer benefício.

Ilustração mostrando que a presença de desvio do septo no exame deve ser analisada junto aos sintomas e à avaliação médica antes de definir o tratamento.

Dica do Especialista

Ter um desvio de septo não significa, automaticamente, precisar de cirurgia.

O que orienta o tratamento não é apenas o exame, mas principalmente a presença de sintomas, a causa da obstrução e o impacto na qualidade de vida.

Uma pergunta que escuto muito no consultório é: “Doutor, meu exame mostrou desvio de septo. Vou precisar operar?”

Não necessariamente. Muitas pessoas apresentam algum grau de desvio e respiram normalmente. Mais importante do que descobrir se existe um desvio é entender se ele realmente é responsável pelos sintomas.

Sobre o Dr. Luiz Henrique Carboni

Dr. Luiz Henrique Carboni no consultório

O Dr. Luiz Henrique Carboni é médico otorrinolaringologista em Brasília, com atuação no diagnóstico e tratamento das doenças do nariz, dos ouvidos, da garganta, da voz e do sono.

Formou-se pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e realizou sua residência médica em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da FMRP-USP.

Sua prática é baseada em uma avaliação clínica cuidadosa, na investigação individualizada de cada caso e em uma comunicação clara com o paciente. O objetivo é compreender não apenas o sintoma, mas também suas possíveis causas e o impacto que ele exerce sobre a rotina, o sono e a qualidade de vida.

CRM 19098 | RQE 10877

É membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e International Member of American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery (AAO-HNS).

Seu trabalho é baseado em uma avaliação individualizada, buscando compreender as causas dos sintomas e orientar o tratamento mais adequado para cada paciente.

O que dizem meus pacientes

Se você tem dificuldade persistente para respirar pelo nariz ou dúvida sobre a necessidade de tratamento para um desvio de septo, agende uma avaliação especializada.

Continue Aprendendo

Se você deseja entender melhor outros problemas relacionados ao nariz, os conteúdos abaixo podem complementar esta leitura.

Aviso importante

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma consulta médica, avaliação individualizada ou orientação profissional. Em caso de dificuldade persistente para respirar pelo nariz, sintomas importantes ou dúvidas sobre a necessidade de tratamento cirúrgico, procure avaliação médica

Revisão Bibliográfica e Fontes de Consulta

1. Carrie S, O’Hara J, Fouweather T, et al. Clinical effectiveness of septoplasty versus medical management for nasal airways obstruction: multicentre, open label, randomised controlled trial. BMJ. 2023;383:e075445.

2. American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery Foundation. Deviated Septum. ENT Health.

3. Han JK, Stringer SP, Rosenfeld RM, et al. Clinical Consensus Statement: Septoplasty with or without Inferior Turbinate Reduction. Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2015.

4. Taha HI, Elgendy MS, Ezz MR, et al. Septoplasty versus non-surgical management for deviated nasal septum: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. European Archives of Oto-Rhino-Laryngology. 2025.

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