Entenda as principais causas e quando procurar um otorrinolaringologista
Respirar pelo nariz é uma função essencial para o bom funcionamento do organismo. No entanto, muitas pessoas convivem diariamente com dificuldade para respirar sem perceber que esse sintoma pode estar relacionado a diferentes problemas das vias aéreas superiores.
Nas crianças, é comum que os pais procurem atendimento porque o filho dorme de boca aberta, ronca, apresenta sono agitado ou parece respirar mal durante a noite. Já nos adultos, as queixas costumam incluir obstrução nasal persistente, respiração pela boca, ronco e a sensação de que o ar não passa adequadamente pelo nariz.
Diante desses sintomas, surge uma dúvida muito frequente:
“Será que o problema é a adenoide, as amígdalas ou o desvio do septo?”
Embora essas condições possam provocar manifestações semelhantes, elas afetam estruturas diferentes, ocorrem com maior frequência em fases distintas da vida e nem sempre exigem o mesmo tipo de tratamento.
Neste artigo, você entenderá como funciona a respiração normal, quais são as principais causas de obstrução das vias aéreas superiores, como diferenciar adenoide aumentada, hipertrofia das amígdalas e desvio do septo, quando procurar um otorrinolaringologista e quais tratamentos podem ser indicados.
Conteúdo revisado por
Dr. Luiz Henrique Carboni
Médico Otorrinolaringologista
CRM 19098
RQE 10877
Tempo estimado de leitura: 15 minutos
Última atualização: Agosto de 2026
Visão rápida
Neste artigo você vai entender:
- como acontece a respiração normal pelo nariz;
- por que algumas pessoas passam a respirar pela boca;
- o que é a adenoide e quando ela pode causar problemas;
- quando as amígdalas aumentadas passam a interferir na respiração;
- como o desvio do septo dificulta a passagem do ar;
- quais sintomas ajudam a diferenciar essas condições;
- quando é necessário procurar um otorrinolaringologista;
- quais exames podem ser necessários;
- quando o tratamento é clínico e quando a cirurgia pode ser indicada.
Introdução
Respirar pelo nariz não serve apenas para permitir a entrada de ar nos pulmões.
O nariz filtra partículas presentes no ambiente, aquece e umidifica o ar inspirado antes que ele alcance as vias respiratórias inferiores. Esse processo protege o organismo e contribui para uma respiração mais eficiente, confortável e saudável.
Quando existe alguma obstrução das vias aéreas superiores, o organismo passa a buscar formas alternativas de respirar, sendo a respiração pela boca uma das mais comuns.
Embora muitas pessoas considerem esse hábito normal, respirar predominantemente pela boca pode estar associado a alterações do sono, ronco, sensação de cansaço durante o dia, redução da qualidade de vida e, nas crianças, até repercussões no crescimento e no desenvolvimento da face quando a obstrução é persistente.
As causas dessa dificuldade respiratória são variadas. Em algumas pessoas, o problema está relacionado ao aumento da adenoide; em outras, ao volume excessivo das amígdalas; e, em muitos adultos, alterações anatômicas, como o desvio do septo, desempenham papel importante.
Identificar corretamente a origem da obstrução é essencial para definir o tratamento mais adequado e evitar intervenções desnecessárias.
Como funciona a respiração normal?
Para compreender por que algumas pessoas respiram mal, primeiro é importante entender como ocorre uma respiração saudável.
Quando inspiramos pelo nariz, o ar percorre as fossas nasais, onde é filtrado, aquecido e umidificado. Em seguida, passa pela nasofaringe, pela orofaringe e pela laringe antes de alcançar a traqueia e os pulmões.
Durante esse trajeto, diferentes estruturas trabalham em conjunto para manter a passagem do ar livre.
Qualquer alteração que reduza esse espaço pode dificultar a respiração e obrigar o organismo a compensar utilizando a respiração pela boca como principal via de entrada do ar.
Dependendo da idade e da causa da obstrução, essa dificuldade pode ser discreta ou provocar sintomas importantes, especialmente durante o sono, comprometendo a qualidade do descanso e da respiração.

O que costumo observar no consultório
É muito comum que pais procurem atendimento preocupados porque a criança dorme de boca aberta, ronca todas as noites ou apresenta um sono agitado. Frequentemente, eles acreditam que isso faz parte do desenvolvimento e que a criança “vai melhorar quando crescer”.
Nos adultos, por outro lado, é comum ouvir frases como:
“Sempre respirei mal, acho que meu nariz é assim mesmo.”
Em ambas as situações, vale a pena investigar.
Em muitos casos, identificar corretamente a causa da obstrução nasal permite melhorar significativamente a qualidade da respiração, do sono e do bem-estar, seja com tratamento clínico, seja quando existe indicação de um procedimento cirúrgico.
💡 Mensagem do especialista
“Respirar bem durante o dia e durante o sono não é um detalhe. É uma condição fundamental para a saúde e para a qualidade de vida. Quando a dificuldade para respirar se torna persistente, ela merece ser investigada.”
Quem costuma apresentar cada problema?
- Adenoide aumentada: é mais comum na infância e pode causar obstrução nasal, ronco e respiração pela boca.
- Hipertrofia das amígdalas: também ocorre principalmente em crianças, podendo dificultar a passagem do ar e interferir no sono e, em alguns casos, até na alimentação.
- Desvio do septo: costuma ser mais relevante em adolescentes e adultos, embora possa estar presente desde a infância ou surgir após traumatismos.
Essa diferença ajuda a compreender por que a investigação varia conforme a idade do paciente e reforça a importância de uma avaliação realizada por um otorrinolaringologista.
Adenoide: o que é e quando ela pode causar problemas?
A adenoide, também conhecida como tonsila faríngea, é um tecido de defesa localizado na parte posterior do nariz, em uma região chamada nasofaringe.

Ela faz parte do sistema imunológico e participa do reconhecimento de vírus, bactérias e outros microrganismos, principalmente durante a infância.
É importante destacar que toda criança possui adenoide. Isso é completamente normal e faz parte do desenvolvimento do organismo.
O problema surge quando esse tecido aumenta de tamanho a ponto de dificultar a passagem do ar pelo nariz, provocando sintomas que podem comprometer a qualidade da respiração e do sono.
Quais sintomas a adenoide aumentada pode causar?
- respiração pela boca;
- nariz constantemente entupido;
- ronco durante o sono;
- sono agitado;
- pausas respiratórias durante a noite, em alguns casos;
- voz com característica anasalada;
- dificuldade para respirar pelo nariz;
- infecções de ouvido de repetição em algumas crianças.
Os sintomas costumam surgir de forma gradual e, muitas vezes, os pais acreditam que fazem parte do crescimento normal da criança.
Entretanto, quando persistem, merecem investigação por um otorrinolaringologista, principalmente se estiverem associados à piora da qualidade do sono ou da respiração.
Em crianças com nariz entupido, respiração pela boca ou ronco frequente, uma avaliação especializada pode esclarecer se a adenoide está contribuindo para os sintomas.
O que costumo observar no consultório
É bastante comum que os pais procurem atendimento apenas porque a criança ronca ou dorme de boca aberta. Durante a avaliação, porém, percebemos que esses sintomas frequentemente estão acompanhados de obstrução nasal, sono pouco reparador e dificuldades respiratórias que acabam passando despercebidas no dia a dia.
Quando identificada precocemente, a adenoide aumentada pode ser acompanhada ou tratada de forma individualizada, evitando repercussões na qualidade de vida da criança.
A adenoide cresce para sempre?
Não.
A adenoide costuma aumentar de tamanho durante a infância, atingindo seu maior volume entre a idade pré-escolar (por volta dos 3 anos) e a fase escolar (entre 6 e 7 anos).
Depois desse período, ela tende a diminuir progressivamente durante a adolescência.
Por esse motivo, a adenoide aumentada é muito mais frequente em crianças do que em adultos.
Isso explica por que sintomas como respiração pela boca, ronco e obstrução nasal relacionados à adenoide são observados principalmente na infância.
Amígdalas: quando elas deixam de ser apenas um órgão de defesa?
Assim como a adenoide, as amígdalas fazem parte do sistema imunológico.
Localizadas nas laterais da garganta, elas ajudam o organismo a reconhecer agentes infecciosos que entram pela boca e pelo nariz, desempenhando um papel importante na defesa do organismo, principalmente durante a infância.
Na maioria das pessoas, cumprem essa função sem provocar qualquer sintoma.
Entretanto, algumas crianças — e também alguns adultos — apresentam aumento importante do volume das amígdalas.
Quando isso acontece, elas podem reduzir o espaço disponível para a passagem do ar, principalmente durante o sono, favorecendo sintomas respiratórios e alterações na qualidade do descanso.

Quais sintomas podem indicar hipertrofia das amígdalas?
- ronco frequente;
- respiração pela boca;
- dificuldade para respirar durante o sono;
- sono agitado;
- pausas respiratórias (apneias);
- dificuldade para engolir alimentos maiores, em alguns casos;
- voz abafada ou com a característica conhecida como “voz de batata quente”, quando o aumento das amígdalas é muito importante.

É importante lembrar que nem toda amígdala grande precisa ser removida.
A indicação do tratamento depende da intensidade dos sintomas, da repercussão clínica e da avaliação realizada pelo otorrinolaringologista.
O que costumo observar no consultório
É comum que os pais fiquem preocupados ao perceber que as amígdalas da criança parecem muito grandes ao olhar a garganta.
Entretanto, o tamanho das amígdalas, isoladamente, nem sempre determina a necessidade de tratamento.
Durante a consulta, avaliamos principalmente se esse aumento está comprometendo a respiração, o sono, a alimentação ou a qualidade de vida da criança. Esses fatores são muito mais importantes do que a aparência das amígdalas durante o exame.
Amigdalites de repetição e amígdalas grandes são a mesma coisa?
Não.
Embora frequentemente estejam relacionadas, são situações diferentes.
A hipertrofia das amígdalas refere-se ao aumento do seu tamanho.
Já a amigdalite é um processo inflamatório ou infeccioso das amígdalas.
Uma pessoa pode apresentar amígdalas volumosas sem episódios frequentes de infecção.
Da mesma forma, alguém pode desenvolver amigdalites recorrentes sem que as amígdalas sejam muito grandes.
Essa diferença é importante porque a indicação do tratamento pode variar conforme cada situação, reforçando a importância de uma avaliação individualizada.
Ronco, pausas na respiração e dificuldade para respirar durante o sono merecem uma avaliação cuidadosa, especialmente quando são persistentes.
Desvio do septo: por que ele dificulta a respiração?
O septo nasal é a estrutura que divide o nariz em duas cavidades.
Idealmente, ele permanece aproximadamente centralizado, permitindo que o ar passe de forma equilibrada pelos dois lados do nariz.
Entretanto, muitas pessoas apresentam algum grau de desvio do septo.
Na maioria dos casos, pequenas alterações não provocam qualquer sintoma.
Quando o desvio é mais acentuado, porém, ele pode reduzir significativamente o espaço disponível para a passagem do ar, favorecendo a obstrução nasal e dificultando a respiração.

Quais sintomas o desvio do septo pode provocar?
- dificuldade para respirar pelo nariz;
- sensação de um lado do nariz mais fechado;
- piora da respiração durante a noite;
- respiração pela boca;
- ronco em alguns pacientes;
- crises recorrentes de obstrução nasal.
Em alguns casos, o desvio do septo também pode estar associado a outras condições, como hipertrofia dos cornetos ou rinite alérgica, tornando o quadro ainda mais complexo.
O que costumo observar no consultório
Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que o desvio do septo é a única causa da dificuldade para respirar.
Durante a avaliação, porém, é bastante comum identificarmos outros fatores associados, como rinite alérgica, hipertrofia dos cornetos ou alterações inflamatórias da mucosa nasal.
Por isso, antes de indicar qualquer tratamento, é fundamental compreender todos os fatores que estão contribuindo para a obstrução nasal.
O desvio do septo sempre precisa de cirurgia?
Não.
Muitas pessoas convivem com pequenos desvios sem apresentar sintomas.
A cirurgia, chamada septoplastia, costuma ser indicada quando existe uma obstrução nasal significativa que compromete a qualidade de vida e não melhora adequadamente com o tratamento clínico, quando este é indicado.
O objetivo do procedimento não é modificar a aparência externa do nariz, mas melhorar a passagem do ar por meio da correção da alteração anatômica responsável pelos sintomas.
É justamente essa avaliação individualizada que permite definir se a cirurgia realmente trará benefícios ao paciente.
Se você tem dificuldade persistente para respirar pelo nariz e suspeita de desvio do septo, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar a verdadeira causa da obstrução e definir o tratamento mais adequado.

Como diferenciar adenoide, amígdalas aumentadas e desvio do septo?
Embora essas três condições possam provocar dificuldade para respirar, elas afetam estruturas diferentes e costumam apresentar características próprias.
Em muitos casos, a idade do paciente, os sintomas predominantes e o exame realizado pelo otorrinolaringologista ajudam a esclarecer qual é a principal causa da obstrução das vias aéreas superiores.
Além disso, algumas pessoas apresentam mais de uma dessas alterações ao mesmo tempo, o que reforça a importância de uma avaliação completa e individualizada.
Comparando as principais características
| Característica | Adenoide aumentada | Hipertrofia das amígdalas | Desvio do septo |
| Faixa etária | Crianças | Principalmente crianças | Adolescentes e adultos |
| Respiração pela boca | Muito frequente | Frequente | Pode ocorrer |
| Ronco | Muito comum | Muito comum | Pode ocorrer |
| Nariz entupido | Pode estar presente | Geralmente não é o principal | Muito comum |
| Dificuldade para engolir | Incomum | Pode ocorrer | Não costuma ocorrer |
| Apneia do sono | Pode ocorrer | Pode ocorrer | Pode contribuir |
| Local da obstrução | Parte posterior do nariz | Garganta | Interior do nariz |

Essa comparação ajuda a compreender as diferenças gerais entre essas condições, mas não substitui a avaliação médica.
Em alguns pacientes, os sintomas se sobrepõem e somente o exame clínico permite identificar todas as causas envolvidas.
📌 Importante
É relativamente comum que um mesmo paciente apresente adenoide aumentada associada à hipertrofia das amígdalas, ou ainda desvio do septo acompanhado de rinite alérgica e hipertrofia dos cornetos. O diagnóstico definitivo depende sempre de uma avaliação realizada por um otorrinolaringologista.
Quando devo procurar um otorrinolaringologista?
- respiração pela boca de forma persistente;
- ronco frequente, principalmente em crianças;
- pausas respiratórias observadas durante o sono;
- nariz constantemente entupido;
- sensação de que um lado do nariz permanece sempre fechado;
- infecções repetidas das amígdalas;
- suspeita de adenoide aumentada;
- dificuldade para respirar que interfere nas atividades do dia a dia;
- sono de má qualidade associado à obstrução das vias aéreas superiores.
Nas crianças, além da dificuldade respiratória, é importante observar alterações no comportamento, irritabilidade, sonolência excessiva durante o dia, dificuldade de concentração e baixo rendimento escolar.

O que costumo observar no consultório
É muito comum que pacientes procurem atendimento apenas quando a dificuldade para respirar começa a interferir no sono ou nas atividades do dia a dia.
Entretanto, sintomas persistentes como respiração pela boca, ronco e obstrução nasal merecem investigação mesmo quando parecem leves.
Uma avaliação precoce permite identificar a causa da obstrução e definir o tratamento mais adequado antes que o problema evolua.
Como é feita a avaliação?
O primeiro passo é compreender detalhadamente os sintomas apresentados pelo paciente.
Durante a consulta, o otorrinolaringologista procura identificar:
- quando a dificuldade para respirar começou;
- se ela ocorre apenas durante a noite ou também ao longo do dia;
- se existe ronco;
- se há pausas respiratórias durante o sono;
- se o paciente respira predominantemente pela boca;
- se ocorrem infecções frequentes das amígdalas;
- se existem sintomas de rinite alérgica;
- se já foram realizados tratamentos anteriores.
Essas informações ajudam a direcionar o exame físico e a definir se existe necessidade de exames complementares.
É justamente a combinação entre a história clínica e o exame realizado no consultório que permite identificar a causa da obstrução das vias aéreas superiores e planejar o tratamento mais adequado.
O que costumo observar no consultório
Muitas pessoas acreditam que será necessário realizar diversos exames logo na primeira consulta.
Na prática, isso nem sempre acontece.
Em muitos casos, uma conversa detalhada e um exame físico cuidadoso já fornecem informações muito importantes para direcionar o diagnóstico.
Quando necessário, os exames complementares são solicitados para confirmar hipóteses e auxiliar no planejamento do tratamento.
Quais exames podem ser necessários?
Nem todos os pacientes precisam realizar exames.
Quando indicados, eles têm como objetivo confirmar o diagnóstico, compreender melhor a causa da obstrução nasal e orientar o tratamento mais adequado.
Nasofibroscopia

A nasofibroscopia é um dos exames mais importantes na avaliação das vias aéreas superiores.
Realizada no consultório, com um aparelho fino e flexível equipado com câmera, ela permite visualizar estruturas que não podem ser examinadas adequadamente apenas com a inspeção convencional.
Por meio desse exame é possível avaliar:
- a adenoide;
- o septo nasal;
- os cornetos;
- a nasofaringe;
- a laringe;
- outras alterações que possam contribuir para a obstrução das vias aéreas superiores.
Na maioria das situações, trata-se de um procedimento rápido, bem tolerado e de grande utilidade diagnóstica.
📌 Importante
A indicação da nasofibroscopia é individualizada. Nem todos os pacientes precisam realizar esse exame, mas, quando indicado, ele fornece informações fundamentais para esclarecer a causa da dificuldade respiratória e definir o melhor tratamento.
Quando indicada, a nasofibroscopia pode complementar a avaliação clínica e ajudar na investigação das causas da obstrução das vias aéreas superiores.
Exames de imagem
Quando necessário, os exames de imagem podem complementar a investigação, especialmente em casos de alterações anatômicas, suspeita de rinossinusite crônica ou planejamento cirúrgico.
A indicação é sempre individualizada e depende da avaliação clínica realizada pelo otorrinolaringologista.
Esses exames não substituem a consulta médica, mas fornecem informações adicionais que ajudam a compreender melhor a anatomia das vias aéreas superiores e a planejar o tratamento mais adequado.
Avaliação do sono
Em pacientes com suspeita de apneia obstrutiva do sono, principalmente quando existem ronco intenso, pausas respiratórias observadas durante o sono ou sonolência excessiva durante o dia, pode ser necessária uma investigação específica do sono.
Esse estudo permite avaliar a gravidade do problema e auxilia na definição da estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.
Nem todas as pessoas que roncam precisam realizar esse tipo de exame. A indicação depende dos sintomas, do exame físico e da avaliação clínica realizada durante a consulta.

📌 Importante
O ronco nem sempre representa apenas um incômodo sonoro. Em alguns pacientes, ele pode estar associado à apneia obstrutiva do sono, condição que merece investigação e tratamento quando confirmada.
💡 O que costumo observar no consultório
É bastante comum que pacientes procurem atendimento acreditando que o ronco seja apenas um desconforto para quem dorme ao lado.
Durante a avaliação, porém, muitas vezes identificamos sinais de distúrbios respiratórios do sono que também afetam a qualidade do descanso, a disposição durante o dia e, em alguns casos, até a saúde cardiovascular.
Por isso, investigar a qualidade da respiração durante o sono é uma etapa importante quando existem sintomas persistentes.
💬 Mensagem do especialista
“Os exames complementares são importantes quando bem indicados, mas o diagnóstico começa com uma boa conversa e uma avaliação clínica cuidadosa. Cada paciente precisa ser analisado de forma individual para que o tratamento seja realmente eficaz.”
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende diretamente da causa da obstrução das vias aéreas superiores.
Embora os sintomas possam ser semelhantes, uma criança com adenoide aumentada, um adulto com desvio do septo ou um paciente com rinite associada à hipertrofia dos cornetos podem precisar de abordagens completamente diferentes.
Por isso, o primeiro objetivo da consulta é estabelecer um diagnóstico preciso.
Somente após compreender a causa da dificuldade respiratória é possível indicar o tratamento mais adequado para cada paciente.
Quando o tratamento clínico é suficiente?
Nem toda dificuldade para respirar exige cirurgia.
Em muitos pacientes, principalmente quando existe rinite alérgica ou outra condição inflamatória associada, o tratamento clínico proporciona melhora importante dos sintomas.
Dependendo da causa identificada, podem ser recomendadas medidas como:
- controle dos fatores desencadeantes da rinite;
- lavagem nasal com solução salina;
- medicamentos para reduzir a inflamação da mucosa nasal;
- tratamento das infecções quando houver indicação clínica;
- acompanhamento periódico para avaliar a evolução.
O plano terapêutico deve sempre ser individualizado, considerando a idade do paciente, a intensidade dos sintomas e o impacto na qualidade de vida.
💡 O que costumo observar no consultório
Uma dúvida muito frequente é imaginar que toda dificuldade para respirar será resolvida com cirurgia.
Na prática, muitos pacientes apresentam excelente resposta ao tratamento clínico, principalmente quando a obstrução está relacionada a doenças inflamatórias, como a rinite alérgica.
Por isso, antes de indicar qualquer procedimento cirúrgico, avaliamos cuidadosamente todas as possibilidades de tratamento.
Quando a cirurgia pode ser indicada?
A cirurgia é considerada quando existe uma alteração estrutural ou funcional que provoca obstrução importante das vias aéreas e que não pode ser resolvida apenas com tratamento clínico.
Cada situação deve ser analisada de forma individual.
A decisão leva em consideração os sintomas, o impacto na qualidade de vida, os achados do exame físico e, quando necessário, os exames complementares.
Adenoidectomia
A remoção da adenoide pode ser indicada quando seu aumento provoca obstrução nasal persistente, ronco importante, distúrbios respiratórios do sono ou outras repercussões identificadas durante a avaliação.
O objetivo da cirurgia é restabelecer a passagem adequada do ar pelo nariz e melhorar a qualidade da respiração e do sono.
Amigdalectomia
A retirada das amígdalas pode ser indicada em pacientes com hipertrofia importante que compromete a respiração ou em situações específicas de amigdalites de repetição, sempre após uma avaliação criteriosa.
A decisão considera o conjunto dos sintomas, os achados clínicos e o impacto da doença na qualidade de vida do paciente.

📌 Importante
Nem toda pessoa com adenoide aumentada ou amígdalas grandes precisa de cirurgia. A indicação depende da avaliação individual realizada pelo otorrinolaringologista, considerando os sintomas, o exame físico e a resposta ao tratamento clínico quando indicado.
Se você ou seu filho apresenta dificuldade para respirar, ronco frequente ou alterações no sono, uma avaliação com um otorrinolaringologista pode ajudar a entender a causa dos sintomas e verificar se existe indicação de tratamento clínico ou cirúrgico.
A cirurgia resolve todos os casos?
Não.
Esse é um dos equívocos mais comuns entre os pacientes.
Em muitos casos, a dificuldade para respirar resulta da associação de diferentes fatores, e não de uma única alteração anatômica.
Por exemplo:
- desvio do septo associado à rinite alérgica;
- hipertrofia dos cornetos associada à inflamação crônica;
- adenoide aumentada coexistindo com hipertrofia das amígdalas.
Nessas situações, o sucesso do tratamento depende de uma abordagem global, considerando todas as alterações presentes, e não apenas da correção de um único problema.
💡 O que costumo observar no consultório
É relativamente comum que o paciente chegue à consulta acreditando que existe uma única causa para a dificuldade respiratória.
Entretanto, durante a avaliação, frequentemente identificamos uma combinação de alterações anatômicas e doenças inflamatórias que contribuem para os sintomas.
Por isso, o tratamento mais eficaz costuma ser aquele que aborda todas as causas envolvidas, e não apenas a mais evidente.
📌 Importante
A cirurgia pode trazer excelente resultado quando bem indicada, mas ela não substitui o tratamento das doenças inflamatórias, como a rinite alérgica, quando estas também participam da obstrução nasal. Uma avaliação individualizada é fundamental para definir a melhor estratégia terapêutica.
Mitos ❌ e Verdades ✅
Toda criança que ronca precisa operar.
❌ Mito.
O ronco infantil deve sempre ser investigado, mas sua presença, isoladamente, não significa que exista indicação cirúrgica.
Respirar pela boca é normal.
❌ Mito.
A respiração fisiológica ocorre preferencialmente pelo nariz. Quando uma pessoa passa a respirar predominantemente pela boca, é importante investigar a existência de alguma obstrução das vias aéreas superiores.
❌ O desvio do septo sempre causa sintomas.
❌ Mito.
Muitas pessoas apresentam algum grau de desvio do septo sem qualquer repercussão clínica.
✅ A adenoide desaparece com o tempo.
✅ Verdade, na maioria dos casos.
A adenoide tende a diminuir naturalmente durante a adolescência.
Amígdalas grandes significam infecção.
❌ Mito.
O aumento do volume das amígdalas não significa, necessariamente, que exista uma infecção. É possível apresentar amígdalas volumosas sem episódios frequentes de amigdalite.
Dormir bem depende também de respirar bem.
✅ Verdade.
Uma respiração adequada durante o sono favorece um descanso mais reparador.
⚠️ Quando procurar atendimento com mais rapidez?
Embora adenoide aumentada, hipertrofia das amígdalas e desvio do septo geralmente não representem uma emergência, alguns sinais merecem avaliação médica sem demora.
- dificuldade respiratória importante;
- pausas respiratórias observadas durante o sono;
- ronco intenso acompanhado de engasgos ou sensação de sufocação;
- dificuldade para engolir associada a importante obstrução da garganta;
- infecções recorrentes das amígdalas com impacto significativo na rotina;
- piora progressiva da obstrução nasal;
- sonolência excessiva durante o dia associada a distúrbios respiratórios do sono.
Quanto mais cedo essas situações forem identificadas, maiores são as chances de evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.
📌 Importante
Na maioria das situações, esses sintomas não representam uma urgência médica imediata. Entretanto, quando são persistentes ou comprometem a respiração, o sono ou a alimentação, devem ser avaliados por um otorrinolaringologista o quanto antes.
💡 O que costumo observar no consultório
Uma preocupação muito frequente entre os pais é saber se a cirurgia será inevitável.
Na prática, cada paciente deve ser avaliado de forma individual.
Algumas crianças apresentam excelente evolução apenas com acompanhamento e tratamento clínico. Outras realmente se beneficiam da cirurgia porque a obstrução compromete a respiração, o sono e até o desenvolvimento.
Nos adultos, também é comum encontrar pacientes que acreditam que o desvio do septo explica todos os sintomas. Muitas vezes, porém, é a combinação entre alterações anatômicas e doenças inflamatórias, como a rinite alérgica, que determina o quadro clínico.
O papel do otorrinolaringologista é integrar todas essas informações para indicar o tratamento mais adequado, evitando tanto intervenções desnecessárias quanto atrasos em situações que realmente exigem uma abordagem específica.
💬 Mensagem do especialista
“O melhor tratamento não é aquele que serve para a maioria das pessoas, mas aquele que atende às necessidades de cada paciente após uma avaliação cuidadosa, individualizada e baseada na causa dos sintomas.”
Perguntas frequentes (FAQ)
❓ A adenoide e as amígdalas são a mesma estrutura?
Não.
Embora ambas façam parte do sistema imunológico, são estruturas diferentes. A adenoide está localizada na nasofaringe e as amígdalas nas laterais da garganta.
❓ Toda criança que respira pela boca tem adenoide aumentada?
Não.
A respiração pela boca pode ter diversas causas, incluindo rinite alérgica, aumento das amígdalas, desvio do septo e hipertrofia dos cornetos.
❓ O desvio do septo pode piorar com o tempo?
O desvio do septo costuma permanecer relativamente estável, mas os sintomas podem se tornar mais evidentes devido a alterações associadas.
❓ Como saber se meu filho precisa retirar a adenoide?
A decisão depende dos sintomas, da respiração, do sono e da avaliação do otorrinolaringologista.
❓ Amígdalas grandes sempre precisam ser retiradas?
Não.
A cirurgia é indicada apenas quando existem sintomas importantes ou outras indicações clínicas.
❓ É possível ter adenoide aumentada e amígdalas grandes ao mesmo tempo?
Sim.
Essa associação é relativamente frequente na infância.
❓ O desvio do septo pode causar ronco?
Pode contribuir.
O ronco geralmente resulta da combinação de vários fatores.
❓ A cirurgia melhora imediatamente a respiração?
Na maioria dos casos, a melhora ocorre de forma progressiva durante a recuperação.
❓ Dormir de boca aberta pode trazer consequências?
Sim.
Pode estar associado a ronco, sono menos reparador e alterações no desenvolvimento facial quando persistente na infância.
❓ Quando devo procurar um otorrinolaringologista?
Sempre que houver sintomas persistentes que comprometam a respiração ou a qualidade de vida.
Se você ou seu filho apresentam dificuldade persistente para respirar pelo nariz, ronco ou respiração pela boca, uma avaliação especializada pode ser o próximo passo.
Conclusão
Respirar bem é fundamental para a saúde, para um sono reparador e para a qualidade de vida.
Embora adenoide aumentada, hipertrofia das amígdalas e desvio do septo possam provocar sintomas semelhantes, cada uma dessas condições possui características próprias e pode exigir abordagens diferentes.
O diagnóstico correto depende de uma avaliação cuidadosa, que considera a história clínica, o exame físico e, quando necessário, exames complementares.
Com um diagnóstico preciso, é possível definir um tratamento individualizado.
Se você ou seu filho apresentam dificuldade para respirar pelo nariz, ronco frequente, respiração pela boca ou outros sintomas persistentes, vale a pena procurar avaliação especializada.

Sobre o Dr. Luiz Henrique Carboni

O Dr. Luiz Henrique Carboni é médico otorrinolaringologista em Brasília, com atuação no diagnóstico e tratamento das doenças do nariz, dos ouvidos, da garganta, da voz e do sono.
Formou-se pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e realizou sua residência médica em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da FMRP-USP, instituição de referência na formação médica e especializada.
Sua prática é baseada em uma avaliação clínica cuidadosa, na investigação individualizada de cada caso e em uma comunicação clara com o paciente. O objetivo é compreender não apenas o sintoma, mas também suas possíveis causas e o impacto que ele exerce sobre a rotina, o sono e a qualidade de vida.
CRM 19098 | RQE 10877
É membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e International Member of American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery (AAO-HNS).
Atende pacientes em Brasília, com foco em um cuidado médico ético, humanizado e individualizado, buscando estabelecer um diagnóstico preciso e definir, junto ao paciente, a estratégia de tratamento mais adequada para cada situação.
O que dizem meus pacientes





Seu filho respira pela boca ou ronca com frequência?
Se seu filho apresenta respiração pela boca, ronco frequente, nariz constantemente entupido ou alterações no sono, uma avaliação com um otorrinolaringologista pode ajudar a identificar a causa dos sintomas e definir o tratamento mais adequado.
Continue aprendendo
- Nariz entupido, rinite ou sinusite: como diferenciar os sintomas?
- Rinite Alérgica: sintomas, diagnóstico e tratamento
- Respiração pela boca: por que isso acontece?
- Ronco: quando ele deixa de ser apenas um incômodo?
- Apneia obstrutiva do sono: sintomas, diagnóstico e tratamento.
- Tenho dificuldade para respirar pelo nariz. É desvio de septo?
- Adenoide aumentada na infância.
- Hipertrofia das amígdalas.
- Otorrinolaringologista: o que faz, quando procurar e quais doenças trata?
- Tenho muitas amigdalites. Preciso retirar as amígdalas?
- Estou com dor de garganta. Preciso tomar antibiótico?
- Nasofibroscopia: como é realizado o exame?
Aviso importante
Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação do tratamento devem sempre ser realizados por um médico, após avaliação individualizada de cada paciente.
Referências e Fontes de Consulta
As informações apresentadas neste artigo foram elaboradas com base em diretrizes e materiais educativos de sociedades médicas reconhecidas nacional e internacionalmente, além da experiência clínica do médico responsável.
AASM — Practice Guidelines / Pediatric Sleep & Respiratory Indications for Polysomnography
ABORL-CCF — Guideline IVAS: Doença Crônica de Amígdalas
Observação importante
O diagnóstico e a definição do tratamento devem sempre ser individualizados e realizados por um médico otorrinolaringologista, de acordo com a avaliação clínica de cada paciente.
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente educativa e foi desenvolvido para auxiliar na compreensão das principais causas de dificuldade para respirar pelo nariz, como adenoide aumentada, hipertrofia das amígdalas e desvio do septo.
As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica, o exame físico ou a realização de exames complementares quando indicados.
O diagnóstico e a definição do tratamento devem sempre ser individualizados e realizados por um médico otorrinolaringologista, de acordo com a avaliação clínica de cada paciente.
